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Este estilo reúne obras que relatam os conflitos interiores e a dor do ser humano. É comum a presença de personagens ansgustiadas, cujo interior é vasculhado pelo autor. A prosa intimista, também chamada de "sondagem psicológica", teve seu inicio favorecido pela divulgação Psicanalítica de Freud. Os autores que participam deste tipo de escrita estão Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Autran Dourado, Osman Lins e Lya Luft. Clarice Lispector "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." (Clarice Lispector) A obra de Clarice Lispector é dotada de leve melancolia, dando ênfase nos conflitos existenciais da personagem. Numa linguagem que varia entre a prosa narrativa e a poesia, Clarice quebra a linearidade dos fatos. Isso ocorre pois a narrativa baseia-se no fluxo da memória e da emoção, o que não segue necessariamente uma ordem cronológica direta. Em seus textos, Clarice utiliza um número de monólogos internos maior que o de dialogos entre as personagens, sugerindo uma reflexão da realidade para o leitor. Lygia Fagundes Telles "‘Não quero nada, isto é, quero viver. Apenas viver, minha querida, viver...’ Com um movimento brando, ele ajeitou a cabeça no espaldar da poltrona. Parecia simples, não? Apenas viver." (Trecho de As pérolas, de Lygia Fagundes Telles) Seu estilo ficcionista e altamente descritivo faz com que o leitor passe a participar da trama. Os finais são abertos, o que deixa o leitor dar continuidade à história com sua imaginação. Muitas vezes, o texto perde a noção de tempo e espaço e cai numa série de "ações e reações" da personagem para com a situação descrita. Assim como nos texto machadianos, Lygia vasculha profundamente a "alma" das personagens e as relaciona com todos os elementos da cena. Outros traços marcantes de sua obra são a ironia e a ambigüidade. As Formigas: Duas primas se mudam para uma pensão, um sobrado velho e sombrio. Ao chegarem lá, a dona da pensão às encaminha para o sótão, onde passariam os dias, e avisou que um antigo hospede havia esquecido uma caixa cheia de ossos. Por cursar medicina, uma das primas ficou muito curiosa e foi verificar a caixa. Ela viu que os ossos eram pequenos e a dona da pensão afirmou que aqueles eram ossos de um anão. Nessa noite, a moça teve pesadelos com um anão e acordou assustada. Viu então sua prima olhando fixamente o assoalho, onde havia uma trilha de formigas que seguia até o caixote. Descontentes com as visitantes, resolveram jogar alcool nos insetos e, quando foram verificar os ossos, perceberam que haviam mudado de lugar. Na outra noite, as formigas voltaram e iam até o caixote. Perplexas, as moças ficaram somente observando. Na noite seguinte, as formigas voltaram novamente e, como era de se esperar, iam até o caixote. Quando foram verificar o caixote viram que estava acontecendo o que elas temiam: as formigas estavam organizando os ossos, faltando somente o crânio. Desesperadas, as moças pegam suas malas e abandonaram a pensão correndo sem destino. Natal na Barca: La estava ela, junto de uma mulher, que carregava seu filho no colo, e um bêbado, que conversava com seu amigo imaginário. Ignorando a presença do bêbado, a moça começa a conversar com a senhora que segurava a criança irriquieta. Ao perguntar se seu filho estava doente, a mãe respondeu que sim e que, no dia seguinte, à levaria ao médico e começou então a contar sobre sua vida. Disse que havia tido um outro filho, que morreu quando ainda era criança enquanto brincava numa árvore, e que seu marido havia a abandonado com a criança que estava em seu colo. Perplexa com a história, a moça sentiu uma dor tremenda por ver a pobre mulher suportando tanta angústia de forma tão natural. Pediu então para ver a criança, que estava coberta por um xale, e ficou estarrecida com o que viu: a criança estava morta. A moça não sabia o que fazer, já que mãe não havia percebido o infortúnio e continuava a nina-lo, tinha medo da reação daquela mulher. Para sua surpresa, ao chegarem no porto o garoto despertou e começou a chorar. A mulher então despediu-se e desejou-lhe um feliz natal. Lya Luft " O escritor fala pelos outros, e nessa medida sua própria existência individual é desimportante: o que vale e o que brilha são seus personagens, seus questionamentos, suas inquietações, suas palavras, sua busca e a sua eterna indagação." (Lya Luft) Os contos de fada de sua infância são responsáveis por vários aspectos da obra de Lya: o mistério, o encantamento das narrativas onde a virulência atravessa o veio das emoções humanas e desemboca em metáforas malignas. Suas poesias são contidas, pessoais. Sua obra só se expande no romance. Seu texto é obcessivamente transparente e utiliza linguagem simples, clara e limpa. Em sua obra, Lya capta toda a incerteza, desespero e angústia das pessoas em crise. Canção do Amor Sereno
Guardei-me Para Ti
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