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Como o próprio nome já diz, os autores desse período faziam autobiografias ou seja, escreviam contando a sua vida, casos ocorridos com eles próprios. Os autores que mais se destacaram no período foram Érico Veríssimo e Pedro Nava. Érico Veríssimo Escreveu a sua autobiografia com os livros Solo de clarineta I, e morreu antes de terminar o II. Escritor de estilo simples, excelente contador de histórias, uma das grandes expressões da moderna ficção brasileira. Na sua maneira cinematográfica de apresentar as histórias, ampliou o romance, focalizando o homem contemporâneo divorciado da religião, na busca de uma solução nem sempre otimista. Sua temática é tipicamente brasileira e, mais que isso, regional, gaúcha. A tentativa de recriação genealógica e social da história do Rio Grande do Sul. Tem como principais obras os livros a trilogia O Tempo e o Vento: O Continente, O Retrato, e O Arquipélago. Solo de Clarineta é dividido em dois volumes. No primeiro Veríssimo conta e sua infância e adolescência até a idade adulta quando abandona o cargo na UPA e sua filha Clarissa casa-se com o físico americano David Jaffe. Na segunda, após relatar o nascimento de seus três netos e o escrever de O Arquipélago (e o primeiro dos ataques cardíacos), Érico começa a contar sua viagens. A primeira é a viagem a Grécia. Depois conta sobre O Senhor Embaixador e então… Portugal! Veríssimo era apaixonado pelo país e conta de seu tour pelo país em 1959 junto com a esposa Mafalda, seu editor e seu filho Luís Fernando. Infelizmente Érico morreu antes de concluir este volume e iniciar o terceiro, mas sobra ainda uma segunda parte deste segundo volume, contando sobre a Holanda, a Espanha e um colóquio entre ele e o homem no espelho onde analisa a si mesmo, sua obra, suas opiniões e sua autobiografia: o que ele nos deu foi "não um concerto de jazz ou uma grande peça sinfônica, mas um solo de clarineta." Agora um trecho do livro: "O meu amigo mais íntimo é o sujeito que vejo todas as manhãs no espelho do quarto de banho, à hora onírica em que passo pelo rosto o aparelho de barbear. Estabelecemos diálogos mudos, numa linguagem misteriosa feita de imagens, ecos de vozes, alheias ou nossas, antigas ou recentes, relâmpagos súbitos que iluminam faces e fatos remotos ou próximos, nos corredores do passado - e às vezes, inexplicavelmente, do futuro - enfim, uma conversa que, quando analisamos os sonhos da noite, parece processar-se fora do tempo e do espaço. Surpreendo-me quase sempre em perfeito acordo com o que o Outro diz ou pensa. Sinto, no entanto, um pálido e acanhado desconforto por saber que existe no mundo alguém que conhece tão bem os meus segredos e fraquezas, uns olhos assim tão familiarizados com a minha nudez de corpo e espírito. Talvez seja por isso que com certa freqüência entramos em conflito. Mas a ridícula e bela verdade é que no fundo, bem feitas as contas, nós nos queremos um grande bem. Estamos habituados um ao outro. Envelhecemos juntos. A face do Outro é o meu calendário implacável. "Os cabelos te fogem, homem" - murmuro-lhe às vezes - "Tuas carnes se tornas flácidas. Vejo a escrita do tempo no pergaminho do teu rosto". - "E como imaginas que estás?" - replica o meu reflexo. Acabamos consolando-nos mutuamente com a idéia de que conservamos a mocidade de espírito. Mas até onde isso é verdade? Encolhemos os ombros e passamos a outras considerações e devaneios, enquanto o barbeador elétrico zumbe, e o incansável calígrafo invisível continua no seu sutil trabalho de amanuense da Morte." Pedro Nava Foi o maior memorialista da literatura brasileira, um fenômeno aplaudido simultaneamente pela crítica e pelo público. A primorosa reconstrução do passado e a exuberância do estilo enchiam as resenhas de exclamações e elogios. O autor era sucesso de crítica e de público, com suas obras no topo das vendas nas livrarias. Escrevendo com notável riqueza de detalhes, em textos longos, ele redescobria palavras como axelhos (os cabelos debaixo do braço) ou lembrava que verter também pode ser urinar. Criava palavras para descrever seus êxtases, como azul-zaum, ou trazia de volta certos tipos de tecidos desconhecidos atualmente, como nanzuque ou zefir. Criava ambientes onde pode-se sentir cheiros como as alfazemas das moças ou a creolina dos ambulatórios. Na qualidade de poeta bissexto Na biografia do escritor,A Solidão Povoada?, da pesquisadora francesa Monique Le Moing, publicada em 1996, revela aquilo que Nava, pretensamente, não teve coragem de confessar: sua homossexualidade. O livro Baú de Ossos, com sua sucessão infindável de genealogias, parecia dedicado a discreta promoção entre literatos. Nesta primeira obra, Nava aborda a constituição das famílias materna e paterna, a sociedade local e o cotidiano de Juiz de Fora. Traz à tona a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, bem como dos subúrbios cariocas e os hábitos do Rio no início do século XIX. Comenta também sobre a morte do pai e o retorno a Juiz de Fora. Estourou em quatro edições sucessivas, projetando-o definitivamente como grande escritor. Em sua bibliografia também se incluem: O Círio Perfeito (de 1983, com o qual recebeu o prêmio O Livro do Ano em 1984), Galo das Trevas, Chão. de Ferro e Beira Mar. Nava vendeu mais de 70.000 exemplares nos anos 70, marcando profundamente a década e fazendo escola. |